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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Não quero fazer coisas que me prejudiquem, mas quero ter o direito de fazê-las. 
Saudade de quando ser adulto significava fazer as próprias escolhas...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Clarice Lispector

Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Caio Fernando Abreu

Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu."

Dexter

Livros sobre sociopatas/psicopatas nunca chamaram minha atenção. Mas como toda pessoa ávida por leitura, acabei comprando Dexter, a mão esquerda de Deus e – surpresa – me apaixonei! Tratei de comprar os outros 2 títulos da série – Querido e Devotado Dexter e Dexter no Escuro, que devorei com a mesma rapidez do primeiro.

Dexter é um analista forense, especialista em respingos de sangue em cenas de crime (isso é especialização!). Na verdade, ele é muito bom no que faz. É querido pela maioria das pessoas, mas não consegue ter sentimentos. A única por quem “quase” chega a sentir algo é por sua irmã Debra, também policial.
Quando o filho era pequeno, o pai adotivo de Dexter, Harry (também policial) começa a estranhar o sumiço de alguns animais da vizinhança. Conhecendo a alma do filho, desenvolve com ele um método para transformar sua necessidade de matar em algo “positivo” – o "código de Harry", como o chamavam, rezava que Dexter só poderia matar aqueles que tivessem matado outras pessoas com crueldade e tivessem escapado da justiça. O pai de Dexter morre, mas o Código fica vivo dentro dele.
Dexter segue um rigor extremo em seus assassinatos, pois gosta de limpeza e organização. Retira de cada vítima uma gota de sangue, que guarda em lâminas escondidas em seu ar-condicionado. As cenas de tortura a que submete suas vítimas são atrozes, mas os crimes cometidos pelas agora “vítimas” nos fazem sentir um gostinho de justiça.
Os livros originaram a série Dexter. Assisti apenas à primeira temporada, e achei-a bastante fiel ao livro. Agora, acaba de chegar às livrarias o 4º. Livro – Dexter , Design de um Assassino. Minha próxima aquisição, com certeza!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Nina Simone


Eunice Kathleen Waymon nasceu emTryon , em 21 de fevereiro de 1933 . Para tocar a "música do diabo", como o Blues era conhecido, adotou o nome de Nina Simone. Sofreu muito com o racismo  inerente à sua época, engajando-se na luta contra o mesmo.  Sua canção Mississipi Goddamn - que conta a história do assassinato de 4 crianças negras numa igreja- tornou-se um hino ativista da causa negra.
Passou de um lar repressor - os pais eram pastores metodistas , e não admitiam sua arte - para as mãos de um marido violento, que a agredia constantemente.
Nina passeou pelo gospel, soul, blues, folk e jazz  - e fomos nós que vimos belas paisagens. Em seu último DVD, seu mau-humor grita. Tudo parecia irritá-la: o som, a roupa, a plateia...no entanto, a quem é gênio, tudo é permitido...
Sua voz se calou  em  21 de abril de 2003, na cidade de Carry-le-Rouet.

Mario Quintana

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro de poemas, o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Blues

Anotações sobre um escândalo

Pra quem procura no livro detalhes da história amorosa da professora inglesa de 41 anos com seu aluno de 15, o livro é decepcionante. Mas pra quem, como eu, adora uma história em que os aspectos psicológicos é que ditam o ritmo, o livro é perfeito.
Contado sob a ótica de Barbara, amiga de Sheba - a professora - o livro trata com muita sutileza o amor obstinado de uma mulher velha, dura e solitária por outra, jovem, pouco convencional, sofrida - Sheba tem um filho excepcional - e tudo que é capaz de fazer para tornar-se imprescindível na vida da outra - até mesmo tornar público o caso que esta mantém com seu aluno adolescente. É um livro denso, intenso e parcial, já que sabemos dos fatos através de Barbara - que, cá pra nós, é bem doentia. Baseado em uma história real.
Pra quem tiver interesse, há o filme, bastante fiel ao livro, que se chama Notas sobre um Escândalo, de 2006, com Judi Dench, Tom Georgeson, Michael Maloney, Joanna Scanlan.

Bobagens

Passei por uma  fase de ler bobagens. Sabe aqueles momentos em que você cansa de ser gente grande e quer ler só pelo prazer de ler? Estava assim.
Comprei 3 livros da Danielle Steel. Não, não tenho vergonha. Porque detesto aquele tipo de gente que faz pose e começa a listar todos os clássicos que leu/lê, se achando melhor que o resto da humanidade.
Eu sou assim - totalmente eclética. Tenho que fazer o que me dá prazer no momento. Mas, o que acontece é que, depois de ler muito, algumas coisas não descem mais. Li os 3 livros, mas devo dizer que foi quase uma penitência. 

Acho que estou crescendo...

A Pequena Moisi - Vera Fisher

Se você pensou em ler Vera, a pequena Moisi, um conselho: faça isso quando não tiver nada mais interessante pra fazer, como assistir à Sessão da Tarde ou a algum reality show, visitar a tia chata ou assistir a um campeonato de arremesso de aviõezinhos de papel.O livro é raso. E bota raso nisso. Vera intercala momentos da infância com reflexões (?) sobre o presente. Faz questão de enumerar as obras de arte que possui, os livros que já leu e os filmes aos quais assistiu, numa tentativa de mostrar uma pseudo-erudição. Tudo soa extremamente artificial e forçado. Nada de incursões ao mundo interior. Nada de linguagem trabalhada. Nada de nada.

O Conto do Amor

Romance de Contardo Calligaris, Companhia das Letras, 2008.


Em seu romance de estréia, Contardo prima pela precisão de detalhes, falando sobre arte e amor.
Ao barbear o pai em seu leito de morte, Carlo toma contato com algo que desconhecia: seu pai vivia num mundo paralelo. Paralelo e inusitado, já que se dizia ajudante do pintor maneirista Sodoma.
A partir daí, inicia uma busca pela própria identidade. É quando conhece Nicoletta, expert em Sodoma. Suas viagens de New York à Itália tornam-se freqüentes, até que todas as peças se encaixam.
Gostoso de ler, acredito que daria um bom filme. Recomendo!



P.S. Contardo anunciou, outro dia, via Twitter, que seu segundo livro está pra ser lançado. Contará a história de Carlo antes de  O Conto do Amor. Vou conferir, com certeza!

Microconto

"Fingia tanto que já não se lembrava como era de verdade. Procurando o caminho de volta, se perdeu também do fingimento, e deixou de existir. Hoje é um rosto em branco."